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    Novos donos de Vilamoura: “Os investidores estão todos a vir para Portugal”

    Comprou Vilamoura com os americanos e agora diz estar a transformá-la no “destino mais icónico da Europa”. São 18 projetos e um deles vale mil milhões.

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    Como é que a Lonestar e o Paul descobriram Portugal e Vilamoura?

    Vim para Portugal quando o país não estava num momento muito bom, há cinco anos, e a primeira coisa que me apercebi é que havia de facto uma grande vontade de sair da crise. Vi nos portugueses a aspiração de recuperar e vi o Governo de Passos Coelho a fazer tudo o que podia para reduzir o défice e para se libertar da troika, o que fez com sucesso. Vi ambição, combinada com ativos que não diria que foram baratos, mas que tinham um valor justo e adequado para nós e então comprámos porque acreditámos que Portugal ia recuperar.

     

     E correu bem?

    Estamos no meio de algo sem precedentes em Portugal. Os nossos maiores mercados, como a Alemanha, Dinamarca, Holanda, estão a recuperar e estão à procura de casas de férias, estão à procura de segurança e de apoios fiscais. E Portugal tem tudo isso. Nós vamos apenas construir oferta para corresponder a essa crescente procura, porque agora não temos oferta para a procura que já começa a existir. Em Vilamoura temos 12 hotéis e estão todos lotados para o verão.

     

    Portanto, o retorno do investimento será rápido?

     Se o produto for bom, em cinco anos teremos bons resultados. Mas não estamos aqui para entrar e sair com o dinheiro. Acreditamos na economia portuguesa, na recuperação da Europa, que temos um produto atractivo e que podemos ter um longo caminho não apenas em Vilamoura, mas em Portugal. Somos investidores de longo prazo e estamos interessados em contribuir para a economia portuguesa com empregos e impostos e em criar um legado e um produto que nunca ninguém viu em Portugal.

     

     Como assim?

     Vilamoura está a renascer das cinzas após 10 anos de estagnação. Estamos finalmente a explorar todo o seu potencial e espero provar que a Vilamoura que não foi estimada nos últimos 10 anos vai voltar a sê-lo. Estamos aqui para criar um resort que se destaque não só no Algarve mas também na Europa. Vilamoura tem potencial para criar algo muito especial e único.

     

     E quantos empregos poderão criar?

     Podem contar com milhares de empregos criados durante a construção, mas depois contribuiremos enormemente para as várias indústrias. Quando se vende uma casa ela é para quatro pessoas, em média, e essas pessoas vão a restaurantes, pagam impostos, usam equipamentos, serviços, transportes e se esse uso aumentar vão ser precisas mais pessoas para processar tudo isso. Indirectamente vamos estar a criar muitos milhares de empregos para satisfazer uma população em crescimento.

     

    Quantas pessoas cabem na nova Vilamoura?

     Devemos duplicar o que temos agora em número de pessoas e casas e que é de cerca de 10 mil pessoas e cerca de cinco mil casas.

     

    E isto em quantos projetos?

    Temos um masterplan de 700 mil metros quadrados onde serão desenvolvidos 18 projetos que custarão 1,5 mil milhões de euros. A fase dois do L’Orangerie [ver texto ao lado\] é um deles e depois temos o Vilamoura Lakes que é o maior deles todos e aquele com que estamos mais comprometidos agora. São 350 mil metros quadrados de área rodeada de lagos onde serão construídas townhouses, vivendas e apartamentos, uma zona de entretenimento e um hotel de cinco estrelas. É um investimento de mil milhões de euros e será provavelmente o maior resort em desenvolvimento no Algarve. Mas haverá outros, como o Vilamoura Creek ou o Vilamoura Central.

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    E ser��o estes os próximos a avançar?

    O Vilamoura Lakes, o Vilamoura Creek e o Vilamoura Central começam a ser construídos e vendidos em 2017, ou seja, no total, devemos ter uns quatro projetos em construç��o no próximo ano.

     

     E há compradores para tantos?

    Vamos ter um programa faseado de vendas, mas toda a gente está a vir para Portugal, todos os investidores. Temos o número de franceses a aumentar 164% em 2016, temos previstas mais 20% de chegadas ao aeroporto de Faro, temos os turistas a desviarem-se do Egipto, da Tunísia, Marrocos e da Jordânia para Portugal por ser um local tão seguro. E claro, há os benefícios fiscais e os vistos gold.

     

    A aposta agora é nos franceses?

    Os franceses são um mercado relativamente novo. O regime de apoio fiscal que o governo anterior aprovou muito inteligentemente, combinado com a segurança, fazem de Portugal um local muito atractivo para os franceses, para os reformados que aqui não pagam impostos nos primeiros dez anos. Mas também temos pessoas a vir da Suécia, Finlândia, Noruega ou Holanda. Portugal está a ter um momento muito bom e nós estamos aqui para servir essa procura.

     

    Mas espera que quando essa oferta estiver concluída Portugal ainda esteja num bom momento, certo?

    Esse é o risco de qualquer promotor. O nosso programa de construção são 18 meses e ficaria surpreendido se o mundo mudasse tanto em 18 meses, mas podem haver reviravoltas. Temos um referendo a acontecer no Reino Unido e a minha opinião pessoal é de que nos manteremos como membros da União Europeia, mas não sei isso de facto. E se sairmos não sei se isso terá impacto nos britânicos que vêm para Portugal. Estamos a fazer um risco calculado, mas acreditamos que Portugal tem um futuro e estamos a construir para esse futuro.

     

    E os chineses?

    Os chineses são um mercado difícil porque eles ainda não procuram este tipo de produto junto ao mar. Eles tendem a preferir casas nas cidades e neste caso Lisboa em vez de resorts. Não temos compradores chineses no Algarve, mas vamos tentar atraí-los.

     

    Como?

    Temos de ser muito específicos com o mercado chinês. As casas têm de ser muito funcionais e utilitárias e têm de estar muito bem infraestruturadas, tem de ser quase como um resort de cidade. O facto de ter a praia e o mar perto é praticamente irrelevante para eles. Acho que o que eles procuram é o visto e depois ter condições para criar uma família num ambiente onde haja escolas e equipamentos.

     

     

     

    O L’Orangerie é o vosso primeiro projeto desde que compraram Vilamoura?

     É o primeiro que está a ser construído, mas não é o primeiro projeto que começámos. Há muitos outros que ainda estão no papel e que já estão a ser trabalhados e que estão em diferentes fases. Em Portugal existe uma razoável quantidade de burocracia.

     

    Quando é que começaram a trabalhar neste primeiro projeto?

    Comprámos Vilamoura a 26 de abril de 2015 e demorou cerca de nove meses para termos o L’Orangerie pronto para construir.

     

    Foi muito tempo?

     Sou inglês e estou habituado a que as licenças sejam mais rápidas. Se o tivéssemos conseguido em seis meses teria sido bom, mas nove meses não é mau. Temos de nos adaptar às leis e regras dos países.

     

    Sendo um investimento de mil milhões, o Vilamoura Lakes é o principal dos 18 projetos?

    Este vai ser o resort mais icónico e mais sustentável da Europa. Imagine estar sentado numa cabana de seis estrelas em cima de um lago, com um campo de golfe de um lado, a marina de outro e o mar mesmo em frente. Não há mais nenhum sítio no mundo onde haja casas sustentáveis em que, em todas as direções, se vêem belezas naturais.

     

    E como é que esses mil milhões de euros vão ser financiados?

     Será um mix do nosso dinheiro, de investidores internacionais e das vendas que fazemos a particulares. Mas nós temos sempre de dar o primeiro passo e portanto vão ver-nos a fazer o primeiro investimento no Vilamoura Lakes. Na verdade já estamos a investir porque custa milhões só para desenvolver o plano. Temos aqui uma enorme equipa de consultores, projetistas, arquitectos, engenheiros, comerciais, especialistas em marketing.

     

    Os 18 projetos previstos para Vilamoura vão ser todos de luxo?

     Queremos ser um destino para todos os tipos de estratos sociais e de famílias. A palavra luxo tem sido muito abusada. Para algumas pessoas é ter mármore no chão da vivenda ou torneiras de ouro. Mas se fores uma pessoa de família – como a maior parte dos portugueses – o luxo é ter mais tempo de qualidade com a família.

     

    Mas o Lakes será de luxo…

    Se tiver de colocar isto em estrelas o L’Orangerie é um emprendimento de golfe de cinco estrelas e o Vilamoura Lakes vai ser um sete estrelas.

    Fonte: Dinheiro Vivo

     

    28-06-2016